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Para FGV, geração de emprego deve enfraquecer em 2014
Postado em: 13/02/2014 por Guido Denipotti
O Indicador Coincidente de Desemprego (ICD) avançou 0,3% em janeiro, para 66,3 pontos, na comparação com o mês anterior, considerando os dados ajustados sazonalmente. "O resultado sinaliza estabilidade dos níveis de desemprego neste início de ano", destacou o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), em nota.

A classe que mais contribuiu para o aumento do ICD em janeiro foi a dos consumidores com renda familiar entre R$ 2,1 mil e R$ 4,8 mil, cujo Indicador de Emprego (invertido) variou 1,5%, sinalizando piora do mercado de trabalho na avaliação destes consumidores, apontou a FGV. Nas outras classes de renda, acrescentou a Fundação, houve percepção de estabilidade ou melhora.

O ICD é construído a partir dos dados desagregados, em quatro classes de renda familiar, da pergunta da Sondagem do Consumidor que procura captar a percepção sobre a situação presente do mercado de trabalho.

Já o Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp) recuou 0,9% em janeiro sobre dezembro, para 86,1 pontos, segundo dados com ajuste sazonal. "Esta foi a primeira queda mensal estatisticamente significativa desde julho passado, sendo ainda insuficiente para ser interpretada como uma inversão de tendência", informou o Ibre/FGV.

Para chegar a esse resultado, os componentes que mais contribuíram positivamente para a alta do IAEmp foram os que mensuram as expectativas dos empresários em relação à tendência dos negócios nos seis meses seguintes, com queda de 4,5%, além do quesito que mede o ímpeto de contratações pelo empresariado, com recuo de 3,2%.

O IAEmp é formado por uma combinação de séries extraídas das Sondagens da Indústria, de Serviços e do Consumidor, todas apuradas pela FGV. O objetivo é antecipar os rumos do mercado de trabalho no País.

"A geração de postos de trabalho em 2014 deve ser mais fraca do que em 2013, mas sem afetar a taxa de desemprego", afirma o economista Fernando de Holanda Barbosa Filho, do Ibre/FGV. Segundo o economista, a População Economicamente Ativa (PEA), que reúne as pessoas que trabalham e aquelas que estão em busca de emprego, deve continuar desacelerando. Apesar disso, os indicadores sobre o mercado de trabalho apurados pela FGV em janeiro indicam estabilidade, segundo Barbosa Filho.

"As condições econômicas são piores do que nos últimos anos, mas a Copa do Mundo de 2014 pode ajudar um pouco. Acima de tudo, os sinais não mostram uma desaceleração mais profunda no mercado de trabalho", disse.

Em relação à desaceleração da PEA, Barbosa Filho afirmou que é difícil saber quando esse efeito vai ter fim. "Se for relacionado com a renda, é capaz de esse efeito se reduzir, porque a renda está crescendo menos e mais gente pode voltar à PEA. Se for estudo, tem de esperar esse ciclo de estudantes acabar", avaliou.

Em 2013, segundo a última divulgação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a taxa de desemprego ou de desocupação fechou em 4,3%, a menor desde o início da série histórica.