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Importação de aço cresce 56% em maio
Postado em: 06/07/2014 por Guido Denipotti
As importações brasileiras de aço atingiram, em maio, 416 mil toneladas, o maior volume mensal desde dezembro de 2010, segundo levantamento do Instituto Aço Brasil (IABr). A valorização do real frente ao dólar e os reajustes praticados pelas usinas nacionais, de 7% em média, pesaram em favor do produto estrangeiro, que permanece com tendência de queda de preços.

Enquanto aço importado ganha espaço, as vendas internas recuam. O mercado doméstico consumiu, de janeiro a maio, 9,1 milhões de toneladas, o que equivale a uma retração de 2% sobre o mesmo período de 2013. Em maio a queda foi 7,3% contra o mesmo mês de 2013.

No setor de aços planos, usados majoritariamente nos setores automotivo e de eletrodomésticos da linha branca, a taxa de penetração do aço de fora chega a 20% no acumulado de janeiro a maio, contra 12,8% de 2013. O volume desembarcado no mês nos portos brasileiros foi 56,3% superior ao de maio do ano passado e 13,9% acima do importado um mês antes.

A rede de distribuição de aço contabilizou elevação de 124,3% nas importações nos cinco primeiros meses do ano em relação ao mesmo intervalo de 2013.

Tendência

“É difícil analisar se há uma tendência de alta nas importações. Esse aço que chegou em maio foi comprado entre dezembro e janeiro, quando a diferença de preço era menor, o dólar estava mais valorizado, mas ainda não havia ocorrido o reajuste do produto nacional. Agora, o prêmio é maior e existe tendência de queda nos preços internacionais, mas não percebo uma corrida ao aço estrangeiro”, afirmou o presidente do Sindicato Nacional das Distribuidoras de Produtos Siderúrgicos (Sindisider), Carlos Loureiro.

De acordo com Loureiro, a diferença do preço do produto nacional em relação ao importado girava, em média, entre 5% e 6% janeiro para a bobina laminada a quente (o produto siderúrgico mais barato). Hoje, essa diferença aumentou para 14%, o que tornou mais atrativa as compras externas.

De janeiro a maio, Loureiro destacou que a maior parte das importações tiveram como destino a construção civil, e o principais produtos foram os revestidos, ou zincados.

Resistência

No varejo, em Belo Horizonte, o aço estrangeiro ainda encontra resistência, diz Diogo Santiago, gerente da distribuidora Açomix. “Eventualmente trabalhamos com importações, mas temos uma parceria comercial muito forte com usinas nacionais. Usamos mais para compôr o estoque em momentos pontuais”, afirmou.

De acordo com o diretor comercial da Parreiras e Resende, Israel de Assis Resende, “a diferença de preço pode chegar a 30% já computados os impostos. Mas não tenho como atestar a qualidade se houver algum problemas na utilização, por isso não trabalho com o produto de fora”, disse.
Fonte: ABCEM